Uso de resíduos triturados gera produtos e serviços

Veículo DCI

Equipamentos processam materiais inservíveis e sobras da coleta seletiva, com aplicações em construção civil, indústria e manejo de aterros sanitários

Energia, asfalto, tintas e pisos. Todo o lixo descartado, com exceção dos materiais orgânicos, tem a possibilidade de se transformar em novas utilidades, como as listadas acima.

Esse é o foco de empresas que montam equipamentos capazes de aproveitar todo tipo de resíduo. Companhias como a Máquina Solo, por exemplo, tiram sua receita de materiais que seriam descartados. A empresa importa componentes para montar no Brasil um aparelho que aproveita resíduos da construção civil. Assim, transforma o que seria entulho em um material equivalente à brita, que pode ser utilizado nos contrapisos e reduzir custos.

“A máquina gera uma economia muito grande, pois faz com que empresas de construção deixem de gastar com ca- çambas para recolher esse material, além de não terem que comprar a brita para o processo de implantação de pisos”, explica Fábio Damásio, diretor da Máquina Solo. A linha de montagem do triturador fica em Cotia (SP) e utiliza tecnologia que vem da Itália. A comercialização começou há dois meses e a empresa espera vender até 10 unidades da máquina, ao preço de R$ 75 mil, até o fim do ano. “Esperamos fechar o ano com um crescimento de 15%, muito devido a esse novo equipamento. É bastante relevante para um mercado em crise”, afirma Damásio.

A companhia, que também vende compactadores de resíduos para manejo de aterros sanitários, não informa o faturamento. Construtoras de pequeno e médio são os principais clientes da Máquina Solo. “Te m o s percebido um interesse grande das construtoras, até pelo fato de elas passarem por um momento conturbado no setor. Isso faz com que elas busquem economizar recursos ao máximo”, complementa. O triturador compacto pode ser instalado diretamente no canteiro, o que permite reaproveitar em uma mesma obra o entulho gerado no local, evitando gastos com transporte. Outra empresa, a Suzaquim , transforma o lixo derivado de eletroeletrônicos e outros equipamentos tecnológicos em tintas destinadas a fabricantes de colorífico cerâmico, vidros, refratários e indústrias químicas em geral. Pilhas, baterias, monitores, cartões magnéticos e celulares passam por um processo de catalisação. Os componentes os resíduos restantes do trabalho são novamente utilizados.

Alguns tipos de asfalto também podem ser produzidos a partir do tratamento de resíduos sólidos, como faz a Vorax .
A companhia tem uma máquina do tamanho de um SUV que é capaz de processar desde lixo hospitalar até resíduos urbanos e industriais. Não há necessidade de separar qualquer parte do lixo. Pode-se alimentar o equipamento com entulho, restos orgânicos, vidro, aço, lixo hospitalar ou qualquer outro resíduo. Uma vez descartado no aparelho, o material é processado e, em seguida, incinerado. O que sobra da queima é transformado em matéria prima para elaboração de outros produtos, como concreto, lã de vidro, asfalto e lajotas. O material resultante do processo pode ser vendido a empresas que fazem projetos de engenharia e obras urbanas com esse insumo. É possível também compactar o resíduo, de forma a reduzi-lo ao equivalente a uma proporção de até 200 vezes o volume inicial. O aparelho é fabricado em Jacareí, a 73 quilômetros da capital paulista, e foi criado pelo presidente da marca, Luiz Namura, em parceria com o In s t i – tuto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O preço inicial é de R$ 1,9 milhão. “Indústrias já nos procuraram para adquirir a máquina. A meta é ampliar para exportação a partir de 2017”, afirma Namura.

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Triturador compacto é montado no próprio canteiro de obra para permitir reúso do resíduo como brita químicos que podem ser reaproveitados são separados após um sistema de limpeza profunda. Zinco, óxidos metá- licos e outros elementos são extraídos. Alguns componentes são então utilizados como pigmento. As tintas derivadas desse material são vendidas para indústrias de porcelana, por exemplo. “Recolhemos lixo tecnológico e trazemos para o nosso espaço para que passe pelo processo de limpeza. Como tem material tóxico, requer um cuidado com o manuseio. É um processo bastante delicad o”, diz Alessandro Barbosa, diretor técnico da Suzaquim. Todo o processo acontece em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, onde ficam as máquinas que realizam cinco passos para a transformação dos materiais: a secagem dos resíduos industriais, a reação química entre os componentes, a moagem, o balanceamento dos elementos obtidos e, por último, a formulação e as misturas das tintas resultantes de todo o processo. Segundo a empresa, os poluentes atmosféricos gerados pelo ciclo são controlados por meio de lavadores de gases, eos resíduos restantes do trabalho são novamente utilizados.
Alguns tipos de asfalto também podem ser produzidos a partir do tratamento de resíduos sólidos, como faz a Vorax.

A companhia tem uma máquina do tamanho de um SUV que é capaz de processar desde lixo hospitalar até resíduos urbanos e industriais. Não há necessidade de separar qualquer parte do lixo. Pode-se alimentar o equipamento com entulho, restos orgânicos, vidro, aço, lixo hospitalar ou qualquer outro resíduo. Uma vez descartado no aparelho, o material é processado e, em seguida, incinerado. O que sobra da queima é transformado em matéria prima para elaboração de outros produtos, como concreto, lã de vidro, asfalto e lajotas.

O material resultante do processo pode ser vendido a empresas que fazem projetos de engenharia e obras urbanas com esse insumo. É possível também compactar o resíduo, de forma a reduzi-lo ao equivalente a uma proporção de até 200 vezes o volume inicial. O aparelho é fabricado em Jacareí, a 73 quilômetros da capital paulista, e foi criado pelo presidente da marca, Luiz Namura, em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O preço inicial é de R$ 1,9 milhão. “Indústrias já nos procuraram para adquirir a máquina. A meta é ampliar para exportação a partir de 2017”, afirma Namura.